A maternidade com suas dores e delícias
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14 maio 2013

Viajando sem os filhos! Devo ou não devo? Dá pra não morrer de saudades?

Postado por: Rafa Manfroi

Esse é um assunto que deixa muitas cabeças de mães e pais borbulhando: Devo ou não devo viajar? Quantos dias devo ficar? Será que vou aproveitar a viagem sem a presença do meu pequeno? Pois é, eu também já passei por esta dúvida cruel e tirei algumas lições pessoais dessa experiência!!

Sim! Eu e meu marido decidimos viajar, nos encorajamos e fizemos isto a primeira vez com a Gabriella com 5 mêses. A ansiedade, os medos, os receios, as dúvidas, são completamente inevitáveis. Nós, mães, sempre achamos que ninguém vai cuidar dos nossos filhos como nós cuidamos e no fundo é verdade, cada um tem sua maneira diferente, porém especial e única de cuidar da criança e é justamente este o primeiro ganho que elas têm de passar alguns dias recebendo atenção e carinho de outros membros da família e aprendendo com esse novo jeito de ser pego no colo, de tomar seu banho, de ser paparicado. É claro que no quesito "rotina" os pais são especialistas e o costume e a habilidade que nós temos com as atividades e horários do bebê ajudam a manter a ordem do dia e até mesmo manter a criança tranqüila emocionalmente, porém, as mudanças de poucos dias não interferem de forma tão significativa no emocional da criança e são facilmente resgatadas pelos pais, na volta para casa.

Eu confesso que sou uma mãe meio leoa, às vezes até controladora de mais: gosto de cuidar, de participar das coisinhas básicas da rotina diária, gosto de estar presente e sinto um prazer imenso nisso. Não é um peso nem uma obrigação, é minha tarefa de maior alegria poder atender pessoalmente as necessidades da Gabriella. Deixá-la com a vovó não foi nada fácil pra mim, mesmo que a primeira viagem sem ela tenha sido de apenas 3 dias. Fomos para um congresso em B.H e lá quase morremos de saudade, meu pensamento não saia um minuto daquela coisinha linda que eu havia deixado em casa. "E se a gente morrer nessa viagem? Quem vai cuidar da nossa filha? Como ela vai crescer sem pai e mãe? “Essas eram frases que me preocupavam principalmente dentro do meu" amigo avião". Mas foi uma ótima experiência, uma viagem curta, que deu saudade mas que não tirou a nossa paz. Quando o coração começou apertar nós estávamos de volta!!  Que alegria!! Ela passou bem, não percebeu a nossa falta e deu tudo certo!

Quando ela completou 11 meses fomos pra Bariloche comemorar meu aniversário de 30 anos e passamos 5 dias fora. Foi uma viagem maravilhosa, na companhia de amigos, realizando o sonho de conhecer a neve. Tantas coisas boas, tantos momentos lindos, mas tudo me lembrava ela. Eu chorava de saudade várias vezes ao dia, mas era uma saudade gostosa, saudável, que não nos tirava o prazer da viagem e dos amigos. Quando chegamos, minha mãe contou que ela falava bastante "papai e mamãe", olhava pra porta, mas que não sofreu, comeu bem, dormiu bem e curtiu os momentos em casa com a vovó e a tata, que ela amava!! Na nossa volta, essas boas notícias tranqüilizaram novamente nossos corações e nos fizeram chegar à conclusão de que sair, namorar, conhecer lugares novos e curtir a vida de gente grande não é deixar de amar os filhos. Eles ficam bem melhor do que nós! Nós é que sofremos!!

Na verdade, essa prática de ter um momento a sós em casa, de sair uma vez por semana ou ao menos a cada 15 dias para um programinha de casal é super importante, tendo em vista que a correria com os filhos já suga muito do nosso tempo e se deixarmos simplesmente acontecer, talvez fiquemos anos sem ir ao cinema, a um hotel namorar ou a um jantarzinho romântico.

Confiram um pouquinho da nossa viagem:

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Chegando!!

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O primeiro momento da saudade!! Encontrei uma botinha que era a cara dela! E olha a foto que não saia de perto de mim!!

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O almoço de Niver de 30 aninhos!

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O jantar maravilhoso que meu marido nos deu, num restaurante lindo e delicioso!!

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Enfim, a neve!!

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Não vejo a hora de voltar e da próxima vez com a minha aventureira Bibi!!

Quando a Bibi estava com 1 ano e 11 meses nós resolvemos fazer uma viagem um pouco maior, de 9 dias! Fomos para a tão sonhada New York, com amigos muito queridos e realizando outro grande sonho! Que bênção, que presente de Deus, mas…que saudadeeee!! Eu chegava a sentir o cheiro dela, a escutar a voz dela, tamanha falta ela me fez naquela semana! Quando eu telefonava, ela nunca queria falar comigo. A única vez que consegui, ela chorou e logo largou o telefone. Eu não quis mais insistir, apenas perguntava pra minha mãe como ela estava e o que estava aprontando. Minha mãe dizia que o frio estava muito forte, que ela não estava indo pra escolinha todos os dias, mas que estava super bem, comendo e dormindo bem. Quando chegamos, porém, descobrimos que ela passou os 9 dias chorando a nossa falta, chamando por nós até de madrugada, enquanto dormia. A profe me contou que ela passava quase a tarde toda com as mãozinhas no rosto, pedindo pela mamãe. Aquilo me cortou o coração e nos fez decidir que as próximas viagens seriam com ela, em lugares que todos nós, juntos, pudéssemos aproveitar, até que ela tivesse maturidade suficiente para entender que a gente vai mas volta!!

Um pouco de N.Y:

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A viagem dos nossos sonhos finalmente aconteceu!

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Amigos que deixaram em casa uma filha da mesma idade que a nossa! estávamos todos felizes e saudosos!!

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Um dos muitos momentos de saudades!!  E hoje eu me pergunto por que eu não trouxe essa fantasia e essa coroa meu Deus?

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Eu, no mundo da Bibi!! E como não me lembrar dela?

Não sei o que fez ser diferente de uma viagem para outra, até porque a "Ansiedade de Separação" acontece por volta dos 6 meses e não aos 2 anos!! Só para esclarecer, a Ansiedade de Separação acontece porque nesta fase o bebê começa a perceber que é uma pessoa separada de sua mãe. Ele sente que depende dela para tudo e que todas as necessidades dele provêm dela, por isso, se ele não estiver vendo sua mãe ou escutando sua voz, é comum a idéia de que ela deixou de existir. Nessa idade, eles ainda não fazem imagem mental da mãe, então o que garante a existência dela é puramente sua presença física. Por volta dos 8 meses eles tentam não perdê-la de vista por nenhum momento e a sua ausência gera uma ansiedade que chamamos de Ansiedade de Separação.

Mas nessa fase de 2 anos, ela quase não dormia na casa dos avós e estava muito apegada a nós( porque tudo que fazíamos era junto com ela) e acredito que isso possa ter interferido de forma negativa nessa experiência!

Crianças que ficam de vez em quando com a tata, que dormem na casa do vovô e da vovó, que são cuidadas por outras pessoas além dos pais, que vão para a escolinha, que presenciam os pais saindo e voltando para casa, têm mais chances de ficar bem na falta dos pais. Apesar de termos família por perto, nós nunca incentivamos muito essa "terceirização" e isso nos pesou neste momento.

Cada casal tem sua forma de viver e de enfrentar as coisas, tem suas necessidades próprias e isso precisa ser respeitado. Existem casais que decidem não viajar nos primeiros anos de vida dos filhos e sentem-se felizes dentro desta escolha. Já outros, procuram fazer das viagens de casal um programa anual e as crianças crescem também se adaptando a este costume que pode ser muito saudável, tendo em vista que nessas viagens sem filhos nós não nos preocupamos com horário de alimentação, com momento de chegadas e partidas, com sol forte, com a soneca das crianças e nem com a possibilidade (muitas vezes remota) de poder namorar. Claro que a saudade e a melancolia sempre batem à porta, mas no final, acaba valendo a pena cuidar do casamento que é tão importante inclusive na criação dos nossos filhos!

Vamos então a algumas dicas para os pais que pretendem viajar sem os filhos, que podem facilitar tanto a viagem do casal quanto os dias das crianças longe dos pais.

Para os pais:

– Aproveitem para irem a lugares onde vocês jamais fossem com as crianças. Façam o máximo de passeios possíveis, durmam tarde a acordem mais tarde também, namorem bastante!

– Se vocês nunca viajaram sem os filhos, procurem começar com viagens curtas, isso ajuda a se acostumarem com a idéia de estar longe deles e sentirem as primeiras sensações dessa distância.

– Mulheres, caprichem nas camisolas, roupas intimas e saltos altos, já que serão dias românticos a dois e ninguém vai acordar vocês com choro no meio da noite.

– Levem fotos e vídeos das crianças para matar a saudade, mas façam um compromisso de não passarem a viagem toda grudados na imagem delas, até porque, as viagens passam rápido de mais e logo a rotina de barulhos e correria volta ao normal.

– Estruturem de tal modo a vida das crianças nesses dias, que vocês possam sair com o coração tranqüilo e descansado.

Para as crianças:

– É muito importante que elas fiquem com pessoas de extrema confiança de vocês e com as quais elas já tenham intimidade. No caso de ficarem com avós ou tios, tentem manter uma funcionária (tata ou babá) na casa deles durante o dia. Elas já conhecem a rotina e podem fazer esses dias ficarem mais leves, tanto para os cuidadores quanto para as crianças. Os avós normalmente têm mais idade, já não possuem o mesmo pique que os pais e quando recebem ajuda conseguem se sentir mais dispostos nesta função.

– Se você tem a opção de trazer este cuidador para a sua casa, isso trará muitos benefícios para as crianças, tendo em vista que eles não precisarão sair do seu ambiente, sua cama, seus brinquedos. Isso os deixa mais dispostos e com menos falta dos pais.

– Procure separar num envelope os documentos das crianças, carteirinha de vacinação e de convênio médico. Cole na geladeira os telefones do pediatra, bem como do hospital que você costuma levá-los.  Se fizerem aulas extras como futebol, natação ou ballet, procure deixar os horários bem especificados e inclusive, deixe os cuidadores à vontade caso não possam levá-los.

– Se estiverem fazendo uso de algum medicamento, deixem todos à vista e com uma especificação clara do seu uso. Eu costumo avisar o pediatra quando estamos saindo para viagem, já o deixando de sobre aviso.

– Deixe por escrito a rotina do dia, desde o momento em que acordam até a hora de dormirem, isso diminui a ansiedade de quem cuida. Minha sogra até hoje me agradece por esse cuidado e essa organização e diz que isso sempre a ajudou muito quando ficava com a Gabriella.

– Deixe uma compra de supermercado com o que eles costumam consumir para estes dias, não esquecendo ao menos das bebidas para aqueles que precisam levar lanche para a escola.

– Deixe roupas para todas as estações do ano.

– Leve os brinquedos de preferência deles, bem como filminhos e livros.

– Deixe por escrito uma sugestão de atividades para os cuidadores fazerem com seus filhos: parque, circo, zoológico, brinquedos do shopping, aniversário do amiguinho da escola. Isso facilita na hora de escolher algo diferente para fazerem com as crianças.

– Escreva ou converse com a professora sobre a viagem e peça que ela também dê um carinho extra e um apoio caso necessário.

– Se as crianças forem maiores ,eu sempre indico aos pais que deixem um calendário onde eles possam fazer um X em cima de cada dia que passar, ajudando, assim, que eles entendam que papai e mamães estão logo chegando.

– Por fim, não fale da viagem com muito tempo de antecedência, isso pode gerar uma ansiedade desnecessária, já que as crianças não têm muita noção de tempo.

Com todos esses cuidados, sugiro que vocês enfrentem a dor da saudade, a SUA Ansiedade de Separação e curtam o seu cônjuge por uns dias a sós que servirão, sem dúvida, como um renovo para a vida de vocês!

Nossos filhos não devem ser privados da oportunidade de estarem sem a nossa presença, mesmo que por um curto espaço de tempo. Eles necessitam desse sentimento, dessa experiência de autonomia e de separação momentânea, que pode não ser fácil, mas que é muito importante!!

Boa viagem!!!!!

Com carinho, Rafa.

 

 

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Comentários

  1. Nossa passei pela mesma coisa quando comecei a viajar a trabalho, foi horrivel, primeira coisa que as pessoas falavam onde esta a bebe? com quem voce deixou? quando eu dizia com o pai faziam cara de estranhando como fosse filho de chocadeira ou como se o pai nao fosse capaz de cuidar da crianca, e realmente muito incomoda esta situacao . me identifiquei muito com o texto.

  2. Rafa Manfroi disse:

    Olá Nati!! Sou grata por visitar nosso site e compartilhar conosco sua história e experiência!! Beijos no coração!!

  3. Nati disse:

    Minha filha tem 2 anos e 5 meses e nunca pensei em viajar sem ela. Acho que sou responsavel por estar sempre presente, e procuro ir a lugares que ela também possa aproveitar. Explicamos sempre tudo a ela, tanto que em viagens ela não incomoda, mesmo que precise ficar várias horas dentro do carro. Não sei se conseguiria aproveitar uma noite longe dela delegando a outros os cuidados. Com certeza me sentiria péssima.

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