A maternidade com suas dores e delícias
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22 agosto 2014

Quando uma bebê de 10 mêses manda na mãe.

Postado por: Rafa Manfroi

Essa semana, em viagem ao Rio, pude conversar brevemente com uma mulher nova, mãe de uma menina de 10 mêses que quando vê a minha Carolinade 8 se identifica comigo e me diz:"Eu também tenho uma bebê, mas não é quietinha e calminha assim como a sua não, ela é bem agitada e só se acalma quando ganha o que quer!" Ela não sabia que estava falando com uma psicóloga APAIXONADA por educação de filhos. Eu, que já estava quase na porta de saída tive que fazer uma pausa bem curiosa, principalmente por se tratar de uma criança bem nova e perguntei:" Ah é? como assim? Me conte!!"

birra
Então ela me explica:"Ela não pode ouvir a palavra não. Se ela pede alguma coisa e a gente não dá ela chora muito. Esses dias fui numa loja  e ela quis a Peppa Pig, um bicho feio que custava 180 reais e que EU TIVE QUE COMPRAR. Eu até tentei dizer que não, que eu não tinha dinheiro, mas ela chorava tão alto que pra não passar vergonha eu achei melhor dizer:pega, pega, pega logo. Eu tô até pensando em consultar uma psicóloga pra saber o que eu devo fazer.
Eu: "Eu sou psicóloga e trabalho exatamente nessa área, de educação de filhos. Posso te dar algumas dicas, você quer?" Ela disse que queria e foi desabafando as dificuldades que tinha com essa bebê de 10 mêses que a pesar de tão pequena já mandava nela.

Falei sobre a importância de dizer não aos filhos, que os nãos são sinônimos de segurança e que as crianças que crescem sem ouvi-los terão problemas lá na frente quando escutarem os nãos dos amiguinhos, do chefe, do namorado, enfim, da vida. A pessoa se sentirá tão frustrada que pode inclusive entrar num uso de drogas por não dar conta daquela sensação de não ter o que quer na hora que quer, como acontecia na infância. 

Falei também que nós pais somos autoridade na vida dos nossos filhos e que eles só reconhecem essa autoridade quando somos firmes, quando a nossa palavra se faz valer, quando somos fortes o suficiente para não cedermos àquilo que entendemos não fazer bem a eles, mesmo que eles chorem querendo. 

Nosso tempo era curto, mas ela agradeceu e disse o quanto precisava ter ouvido aquilo. Não sei se fará mesmo diferença na vida dela, até porque não sei por quais razões ela acredita que precise dar tudo para a filha. Talvez seja pra suprir a falta dela, talvez pela sua própria história de vida de não ter tido muita coisa ou o contrário, de também não ter escutado não de seus pais quando pequena. Não sei. Sei apenas que nossas crianças se sentem extremamente amadas e seguras quando damos limites a elas e se não dermos, elas criarão seus próprios limites, que é, provavelmente, não ter limite algum. 

birra 4

Confesso que depois da conversa fiquei imaginando uma bebê de 10 mêses, tão pequenininha e com tão pouco tempo de vida conseguindo manipular seus pais. Será que ela tem mesmo esse poder? Será que se trata de uma criança "agitada" como a mãe mesma falou ou de uma criança que tem se acostumado a ter tudo que quer e quando escuta essa palavra estranha e negativa, o "não", mostra desconforto? Fiquei imaginando como a falta de limites pode acontecer cedo na vida dos nossos filhos e como isso pode trazer danos a curto e a longo prazo. 

Vamos educar nossos filhos sem medo, sem culpa. Eles precisam que sejamos fortes e convictos do que é melhor para eles. Eles precisam de guias, de adultos maduros o suficiente para assumirem de fato esse papel de pais e educadores. 

Vamos educar?

Beijos pra todos, com carinho, 

Rafa.

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