A maternidade com suas dores e delícias
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15 junho 2016

Luto: Como ensinar sobre a morte para crianças.

Postado por: Rafa Manfroi

As perdas e os lutos são algo que presenciamos o tempo todo no nosso cotidiano, mesmo sem perceber. Os relacionamentos que começam e terminam, as estações do ano que se transformam, o desenvolvimento de uma criança que está em constante mudança, as roupas que não servem mais e vão para doação, as fases escolares que iniciam e finalizam ciclos, tudo isso causa despedidas inevitáveis.

Mas a tendência natural, quando alguém querido morre, é de os adultos tentarem “poupar” o sofrimento das crianças não contando as verdades sobre a morte, tentando fazer com que ela pareça mais simples do que realmente é.

Existe, por trás desse comportamento de negação, uma falsa crença de que quanto menos contato a criança tiver com o velório, o caixão, as pessoas chorando e a dor que permeia aquele ambiente, menos sofrimento ela terá. O grande problema é que na realidade, não é bem assim que acontece.

Quando a criança perde alguém significativo pra ela e não tem a chance de se despedir, de ritualizar aquela perda, ela sente, dentro dela, que a pessoa ainda está viva e que pode voltar.  Esta expectativa faz com que a criança sofra muito mais e estenda o luto por muito mais tempo do que ele poderia durar se fosse chorado, sofrido, ritualizado quando de fato aconteceu.

luto

As crianças tendem a compreender e sofrer bem menos do que nós, então, quando uma morte acontece, alguns passos são importantes a serem respeitados:

  • Alguém de confiança deve dar a noticia.
  • Expliquem para a criança o que significa um velório e o que ela encontrará naquele lugar: Flores, caixão, cadeiras, pessoas conversando e chorando.
  • A criança deve ter a liberdade de escolher quanto tempo deseja ficar ali, se gostaria de chegar perto, colocar a mão sobre o caixão e dizer algo para a pessoa que partiu. Ela pode fazer um desenho ou até mesmo uma cartinha para se despedir.
  • Este é um momento de acolhimento e de dizer a verdade. Mentiras como: “Ele virou uma estrelinha”, por exemplo, não ajuda em nada e pode aumentar ainda mais a ansiedade da criança, gerando expectativas irreais como a de que ela pode alcançá-la.

Algumas crianças não têm a chance de se despedirem em função de alguma limitação como a própria distância. Nesse caso, é importante refazer este ritual em casa mesmo, em forma de uma historinha, um teatrinho ou uma atividade em desenho. O mais importante é que ela possa desabafar, se despedir, dizer e fazer o que está em seu coração e assim elaborar de forma saudável esse luto.

É natural que durante algum temo a criança fique mais irritada, agressiva, impaciente ou até mesmo explosiva. Estes são sintomas que aparecem no lugar da tristeza que costuma acometer os adultos e são completamente naturais. Paciência e respeito, nesse momento, são fundamentais!

Quanto maior a criança for, mais habilidade ela terá para contar em palavras  o que está sentindo e nesse caso, deixe que fale, não fuja do assunto, permita que ela coloque para fora sua tristeza, duvidas e saudades. Falar é saudável e promove cura. Chorar também.

Aproveite as perdas dos bichinhos de estimação, que são os primeiros contatos que temos com a dor da morte. É uma grande chance de ensinarmos que um dia o fim da vida chega e que precisamos viver com saúde, aproveitando ao máximo os que amamos.

Faça o velório, o enterro, a despedida. Ritualize e, por favor, não peça que sejam fortes….Deixem chorar!!

Com carinho,

Rafa Manfroi

Rafaella Manfroi de Carvalho é psicóloga clínica e escolar, especialista em casais e família. Trabalha com Educação há mais de 12 anos e é autora do Blog Vamos Educar.

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