A maternidade com suas dores e delícias
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24 agosto 2015

Crianças e o perigo do uso de uma tecnologia em excesso.

Postado por: Rafa Manfroi

Fui convidada a falar sobre “Crianças e a tecnologia” no Programa “Ver Mais”, da RIC TV Record. Amo quando posso compartilhar minha paixão com as pessoas e falar sobre #Educação que me enche de alegria e gratidão!!

É real que vivemos numa era tecnológica e que as crianças de hoje parecem nascer com um chip contendo todas as informações e habilidades nessa área! Minha filha aprendeu a jogar o jogo da memória com 1 ano numa viagem de avião, num daqueles momentos tensos em que a criança começa a chorar e as pessoas que estão em volta começam te olhar, esperando que milagrosamente você acabe com o choro. Eu já tinha tentado chupeta, musiquinha, comida, mamá e…NADA!!  Nada do que fiz funcionou, me fazendo aceitar a oferta (milagrosa!!) do marido: o tablet!! Pensa na alegria da menina descobrindo a Dora Aventureira, num jogo da memória que ela parecia ter jogado a vida inteira!! Tirou de letra, aprendeu suuuper rápido e me fez perceber o quanto os estímulos em volta estão contribuindo pra essa habilidade tão precoce!!

tecnologia 2

Quando me perguntam sobre qual a idade ideal para uma criança começar a jogar no tablet ou assistir T.V, eu sempre respondo que nós, pais, devemos tentar esperar o máximo de tempo possível, porque depois que os pequenos conhecem esse mundo colorido, cheio de estímulos visuais e sonoros, fica muito mais difícil de colocar limites, embora LIMITE seja a palavra chave para quase tudo na vida! Nesse caso, o problema não é usar, mas sim usar de mais!!

Não acredito que a gente deva deixar de usar esses artifícios, minha preocupação maior está nos exageros. A maioria das crianças de hoje não brinca mais com os amigos, não conversa, não pinta, não corre nem se suja, não anda descalça. Elas não brincam de peteca, queimada, polícia e ladrão, voleibol como eu fazia quando era criança, tendo a oportunidade de ganhar e perder, me frustrar, esperar a minha vez, pedir desculpas porque machuquei sem querer um amigo com uma bola muito forte. Elas estão isoladas nos seus tablets, celulares, computadores, televisores e isso é o triste  resultado de uma mudança geral na estruturação das famílias, da sociedade.

Pensa comigo: As mães, que antigamente cuidavam pessoalmente e cuidadosamente dos seus filhos, escolhendo e participando de suas atividades, hoje estão na sua grande maioria ausentes de casa. Trabalham o dia todo e quando chegam, esgotadas e estressadas, sem falar na culpa que sentem por estarem ausentes, não querem dizer “não”  para os seus filhos, nem se indisporem com eles. Também não sentem motivação para sentar e brincar porque ainda tem a louça, a janta, a casa para cuidar, o marido para conversar, se tornando muito mais fácil colocar a criança na TV ou no tablet.  O maior perigo disso tudo é que quando a criança tem acesso à internet, ela conhece um mundo que pode ser muito perigoso. Ali existe todo tipo de informação e de pessoas, desde a melhor até a pior, leia-se pedófilos!!

Acho importante que os pais estabeleçam limite de tempo no computador, que a máquina fique num lugar visível aos pais, longe dos quartos, assim como a TV. Que os pais saibam e chequem em quais sites os filhos estão navegando e se necessário bloqueiem os mais perigosos. Acho importante também que respeitem o limite de idade para entrarem em algumas redes sociais, garantindo a maturidade do filho para lidar com os conteúdos existentes e disponíveis ali.  Vejo muitas crianças menores de 10 anos com perfil no facebook e me preocupa saber que essas mesmas crianças podem entrar precocemente num mundo de sexualidade e uma sexualidade não saudável. Ali fotos, links e vídeos aparecem do além, com ilustrações bem perigosas. Imagina pra uma criança. E ela vai clicar, pode ter certeza disso!!

Tecnologia

Mas o que fazer então? A questão que quero abordar aqui não é que não se use TV, tablet ou computador, mas que o façamos com sabedoria e cuidado para que os amigos virtuais não se tornem mais importante que os reais. Que as crianças saibam se portar à mesa, conversar, interagir e não estejam alienadas em seus tablets. Crianças assim podem crescer introvertidas, fechadas, sem habilidades relacionais, sem saber se comunicar com o outro.

Que nós, pais, estejamos disponíveis aos nossos filhos e tenhamos tamanha intimidade com eles, que os façam confiar em nós mais do que nos amigos virtuais. Que sejamos seu porto seguro, que tenham as respostas às suas dúvidas e perguntas. Que saibamos o nome de cada um de seus amigos, como meu pai sabia na minha infância e adolescência, os protegendo e alertando. Que não tenhamos medo nem insegurança em dizer não, tendo a certeza de que quem ama educa, corrige e limita.

Vamos ser modelos pra eles, deixando nosso celular de lado, olhando nos olhos e sendo pra eles o que desejamos que eles próprios sejam no futuro!!

Beijos no coração, Rafa.

Rafaella Manfroi é psicóloga clínica e escolar, especialista em família e casal. Trabalha com educação há mais de 10 anos e é autora do Blog Vamos Educar.

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Comentários

  1. Thays disse:

    Aqui fui radical amiga. Eu tava perdendo pros joguinhos no celular! Apaguei toooooodos, celular ninguém usa e tablet pra assitir desenho só em situações raras. A TV tem horario definido. Venci a tecnologia!!!!! Até passa anel rola! Kkkkkkkkkkkkk

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