A maternidade com suas dores e delícias
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07 dezembro 2015

“Aborrescência” e a tentativa de atrair olhares.

Postado por: Rafa Manfroi

A adolescência é uma fase temida por muitos pais, que bombardeados por “mentiras” e mitos, sofrem antes da hora e acabam por esperar traços e comportamentos “aborrescentes”, antes mesmo que eles apareçam.

Esses dias eu estava numa praça brincando com a minha pequena no parquinho e observando um grupo de adolescentes sentados, namorando e conversando. Eles tinham cabelos pintados de azul e vermelho, despenteados e suas roupas eram pretas com correntes prateadas. Eles chamavam a atenção de todos que passavam, sem dúvida e é exatamente sobre isso que quero falar. Toda vez que vejo um adolescente “esquisito”, desses que atraem olhares por onde passam, a primeira coisa que me passa pela cabeça é: Quais são exatamente os olhares que ele deseja ou precisa atrair? Quem ele gostaria que percebesse sua existência, suas necessidades, seus sentimentos?

Adole

Pense comigo: Se você deseja que alguém distante te veja ou te escute, qual a sua atitude? Provavelmente chamar, gritar, pular, abanar. Se tiver com algo na mão é bem provável que balance de um lado para o outro tentando chamar a atenção de quem está longe. Sim, porque se estivesse perto, provavelmente não precisaria gritar nem fazer “show”, apenas chamar. Quanto mais dispersa ou ocupada a pessoa parece estar mais empenho nós temos em atraí-la, nem que para isso precisemos pagar mico ou sermos chamados de doidos.

Vejo esses “adolescentes esquisitos” exatamente sob essa perspectiva, tentando de todas as formas atrair a atenção daqueles que são as pessoas mais importantes da sua vida: seus pais, sua família.
Adolescência é uma fase de transição e de auto-descobertas profundas, é natural que venha acompanhada por algumas “crises” e comportamentos contraditórios. Não é fácil ser tratado hora como grande e hora como pequeno. Irresponsáveis e imaturos para algumas coisas e grandes e maduros demais para outras.

Se esse adolescente não tem uma identidade fortalecida, que foi construída e lapidada por seus pais desde a infância, é bem possível que nesse momento transitório da infância para a vida adulta ele simplesmente não saiba quem ele é. É compreensível que passe a buscar essa identidade em grupos ou na mídia, experimentando roupas, estilos e crenças que sejam autênticos, que chamem a atenção e que tragam uma “marca” para sua personalidade, muitas vezes não aceita por sua família.

Não é segredo para ninguém que a vida adulta é repleta de responsabilidades, horários, regras e trabalho. É uma vida séria, onde o descanso e o brincar são substituídos em boa parte pelo trabalho, pelo realizar e pelas “obrigações” do mundo de “gente grande”. Diante disso, a poucos passos desse mundo adulto, os adolescentes olham para os seus pais imaginando que é exatamente aquela vida que os espera. e nesse momento podem sentir desprezo ou alegria!! Mas que tipo de vida seus pais levam? Uma vida alegre e prazerosa mesmo diante das dificuldades? Eles amam suas profissões e saem felizes de casa para os seus trabalhos? São gratos pelo que têm? Ou são adultos rabugentos, pessimistas, que reclamam do seu salário, da sua rotina, do seu chefe? Que até ganham bem mas são infelizes porque escolheram não a profissão dos seus sonhos mas a dos sonhos dos seus pais?
De repente são casais que não se relacionam bem, não valorizam seu casamento, não saem juntos e estão sempre brigando por pequenas coisas. Não se amam, se suportam e deixam isso visível para os filhos que se preparam para o primeiro relacionamento, tendo essa relação como modelo.  Não curtem a vida, vivem esperando a vida passar. E ponto.

Adole 2

Que tipo de expectativa esse adolescente terá do “se tornar adulto”? Essa perspectiva positiva ou negativa fará toda a diferença na postura que ele terá na adolescência, fazendo dela simplesmente uma fase de transição, o fim de um ciclo e o inicio de um outro ciclo e não uma fase difícil, repleta de problemas, transtornos e transgressões como muitos acreditam e esperam.

É comum, sim, vermos adolescentes revoltados, mas a boa notícia é que eles não precisam ser os seus filhos!!      Seu relacionamento  de comunicação e parceria, valorizando o que pensam e sentem, seu respeito, amor, atenção e dedicação servirão de influência positiva para que a “aborrescência” passe bem longe do seu quintal!!

Seu papel principal é o de acreditar que isso tudo é possível, caso contrário, sua única opção será perder!! E você não tem que optar por isso!! Vamos tentar?

Beijos no coração, com carinho,

Rafa Manfroi, Psicóloga Clínica e Escolar, Especialista em Casais e Família. Trabalha com Educação há mais de 10 anos e é autora do Blog Vamos Educar. 

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