A maternidade com suas dores e delícias
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20 outubro 2015

A cultura da mamadeira

Postado por: Rafa Manfroi

A cultura da mamadeira

Por Ellen, nossa nutri infantil.

Hoje quero escrever um pouquinho sobre a mamadeira! Ultimamente minha experiência com as mães tem passado muito por esse assunto. Da mesma forma, nas escolas, esse tema é recorrente nas reuniões de pais e nas orientações individuais.

O uso da mamadeira sempre causou muita polêmica. Não há dúvida de que a criança que utiliza a mamadeira em excesso tem prejuízos na dentição, fala e nutrição, mas também precisamos admitir que alguns bebês que não conseguem ser amamentados pela mãe então é necessário o uso do instrumento.

Mas, atualmente, é possível perceber que o objeto tornou-se uma cultura tão forte, um hábito tão indispensável que já não é mais só um instrumento para receber a alimentação. As mães incluem a mamadeira na lista do enxoval, mesmo antes do bebê nascer e sem considerar a possibilidade do aleitamento materno. Outras famílias insistem para que o bebê “pegue” a mamadeira ao diminuir as mamadas ao seio, com o medo de que fique com fome ou não cresça adequadamente sem ela.

Refletindo sobre os aspectos nutricionais do uso da mamadeira, percebemos que, na maioria dos casos, ela está composta de leite, geralmente em quantidades exageradas, acrescidos de complementos “engordativos”, como farinhas, achocolatados, suplementos e até açúcar. Muitas famílias chegam a oferecer também refrigerantes, café, chás e todos os tipos de líquidos somente na mamadeira para as crianças.

mamadeira

Essa combinação, quando oferecida várias vezes ao dia, para crianças maiores de 2 anos, pode ser sua única fonte de alimentação, ou seja, o seu conteúdo calórico é tão suficiente que dispensa a oferta de qualquer outro alimento ao longo do dia. Há muitos relatos de mães queixando-se que “meu filho não come nada”, mas que a justificativa encontra-se na quantidade de mamadeiras consumidas. Criança sem fome realmente não come e criança que mama muito realmente não consegue comer.

Na prática clínica, quando pais e mães são aconselhados sobre os prejuízos da mamadeira, do excesso de leite e do uso de complementos desnecessários, e orientados a diminuir e/ou eliminar gradativamente esse hábito, percebemos uma dificuldade muito grande, que extrapola as razões alimentares. As mães realmente choram ao perceber que seus filhos não são mais bebês, que podem se alimentar e tomar os líquidos em copos abertos ou adaptados, e que ao recusar a mamadeira ela não está recusando amor ou alimento.

E que para essa mudança de hábito aconteça é preciso dedicação, persistência, e muitas vezes é preciso alterar a rotina da família na hora das refeições, abdicar-se da facilidade de misturar o leite com água aquecido no micro-ondas, para enfrentar o fogão e preparar uma sopinha para o jantar.

Enfim, a mensagem que deve ficar com estas reflexões é que em primeiro lugar devemos incentivar o aleitamento materno. E se acontecer o uso da mamadeira que seja com equilíbrio.  E se o uso estiver acontecendo de forma desregrada, que o aconselhamento profissional, do nutricionista, pediatra ou psicólogo, possa ajudar a compreender todos os fatores que estão envolvendo esse hábito e definir um passo a passo saudável para que as mudanças aconteçam!

Beijos nutritivos, com carinho,

Ellen.

Nutricionista Ellen Beatriz Pietruszynski

Formada na Universidade Federal de Santa Catarina e com 8 anos de experiência em nutrição infantil, alimentação escolar, culinária infantil e alimentação para bebês.

 

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Comentários

  1. Helena Giasson lara disse:

    Elen ótimo o artigo olha meu filho tem 2 e 3 meses mamou no peito até os aninhos as duras penas, ele não se alimenta mau , janta na escola as 16 horas e a noite nem sempre come ele prefere a tal mamadeira , chegam até 3 entre a hora de dormir e uma na madrugada, vou alternando com sucos de frutas, vitaminas mas na madrugada é o mucilon com leite aveia o de milho enfim, é muito prejudicial?

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